Elementos nucleadores da paisagem influenciam a dispersão zoocórica em áreas campestres alto-montanas

Em áreas degradadas, a capacidade de estabelecimento inicial de propágulos de espécies arbóreas é determinante para o processo de sucessão florestal. No estudo indicado abaixo, é demonstrado a importância de elementos nucleadores na paisagem para a regeneração natural em ambientes altomontanos no Estado de Santa Catarina.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2175-78602017000200325&script=sci_abstract&tlng=pt

forest.din: Função para cálculo de taxas demográficas para comunidades de espécies arbóreas

Divulgo no link abaixo, a função forest.din, escrita em R, para o cálculo de taxas de dinâmica de comunidades de espécies arbóreas. Com esta função, é possível calcular taxas de mortalidade, recrutamento, ganho e perda em área basal, mudança líquida e rotatividade, tanto para parcelas quanto para populações. Quem puder testar, agradeço. Sugestões e interesse em contribuir também são bem vindos.
https://github.com/higuchip/forest.din

Como citar: Higuchi, P. forest.din: Função em linguagem de programação estatística R para a determinação de taxas demográficas de espécies arbreas. 2017. DOI: 10.5281/zenodo.439701. Disponvel em https://github.com/higuchip/forest.din
Para testa a função com o dados de exemplo, executar o comando:

?View Code RSPLUS
 
dados_exemplo <- read.table("https://raw.githubusercontent.com/higuchip/forest.din/master/dados_exemplo.csv",
                          header=T, sep = ";", dec=",")
source("https://raw.githubusercontent.com/higuchip/forest.din/master/forest.din.R")
forest.din(dados_exemplo, 5) #onde, 5 representa o tempo entre intervalos

Os antigos povos do planalto das araucárias

Interessante matéria sobre os proto-Jê, antigos moradores do planalto das araucárias, no Sul do Brasil.  Além de caçadores-coletores, também praticavam agricultura na região, plantando mandioca, feijão, milho, abóbora, etc. Construíam casas subterrâneas para se abrigarem do frio intenso no inverno. Segundo a matéria:
“A relação dos proto-Jê com a floresta de araucária e os pinhões é uma questão que intriga os arqueólogos. As primeiras casas subterrâneas associadas a esses povos datam de 300 a.C. Mas o desenvolvimento desse tipo de construção, presente em uma centena de sítios arqueológicos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, se dá por volta do ano 1000 d.C – justamente quando a mata de araucária se encontra em um momento de grande expansão, de acordo com dados paleobotânicos. Uma interpretação possível para a coincidência é que o crescimento da floresta de pinheiros, fonte de alimento para os indígenas e atrativo para os animais por eles caçados, possibilitou a disseminação dos proto-Jê. Alguns pesquisadores aventam a possibilidade de que o aumento da área de araucárias poderia ter sido estimulado, ao menos em parte, pelos antigos habitantes da região. Os índios teriam empregado um corte seletivo de árvores e favorecido a difusão das araucárias.”
Para saber mais, acesse o link:

Rotina R para inferir sobre a influência da resolução filogenética no NRI

A resolução de árvores filogenéticas pode influenciar o cálculo de métricas de estruturação filogenética de comunidades biológicas, de forma que este aspecto tem sido abordado em vários trabalhos recentes (e.g. Gastauer et al. 2015). De forma geral, a presença de politomias pode levar a erros do tipo I ou II em relação a hipótese nula quanto ao padrão de dispersão filogenética (ver Swenson, 2009). Por isto, a verificação da influência da resolução da árvore filogenética sobre as métricas calculadas é necessária. Neste sentido, divulgo neste link a rotina que elaborei para ser utilizada em um trabalho recente. Comentários, sugestões e adequações, são bem vindos.

Referências: 

Gastauer, M. et al. “The hypothesis of sympatric speciation as the dominant generator of endemism in a global hotspot of biodiversity.” Ecology and Evolution 5.22 (2015): 5272-5283.

Swenson, Nathan G. “Phylogenetic resolution and quantifying the phylogenetic diversity and dispersion of communities.” PloS one 4.2 (2009): e4390.

Artigo sobre invasão biológica por Uva-do-Japão publicado na Revista Árvore

Hovenia dulcis (Fonte: commons.wikimedia.org)

O trabalho fez parte da dissertação de mestrado da Luciane C. Lazzarini (PPG Engenharia Florestal/CAV/UDESC) e investigou o processo de invasão biológica por Hovenia dulcis Thunb., conhecida como Uva-do-Japão, em áreas de Florestas Deciduais, em Santa Catarina. Por ser uma das principais causas da perda de biodiversidade e poder alterar o funcionamento de ambientes naturais, a invasão por espécies exóticas é considerada um importante problema ambiental, o que justifica estudos com esta abordagem.  Como conclusão do trabalho:

Os resultados confirmaram a área estudada como ecotonal entre FED (Floresta Estacional Desigual) FOM (Floresta Ombrófila Mista) e H. dulcicomo importantespécie invasora em florestas da rego do Alto Uruguai. Destacase que o processo de invasão não ocorrede forma espacialmente homogênea, estando associado ao contextsucessional e ecológico da área, uma vez que a escie ocorrepreferencialmente em locais em estágio mais inicial de sucessão, com menor diversidade e ausência de estruturação da comunidade, referentà segregação das espécies nas parcelas. Assim, infere-sque eventos que promovam o retorno de áreas florestaia estágios sucessionais mais iniciais, como distúrbios, favorecem o processo de invasão pela espécie.
Segue o link para o artigo completo:

[Dicas do R] Novo pacote de análise na área: Biogeo!

Quando extraímos informações sobre a ocorrência geográfica de espécies a partir de banco de dados de herbários e museus, frequentemente observamos algumas incoerências, como, por exemplo, a presença no mar de espécies terrestres.  Por isto, antes de utilizarmos dados desta natureza em análises, uma checagem rigorosa é necessária. Este novo pacote do R, Biogeo, propõe justamente isto: a detecção e correção de erros existentes em dados de ocorrência de espécies. Pretendo testar o Biogeo em breve, em algumas dissertações que estamos desenvolvendo com modelagem do nicho climático e predição espacial de espécies arbóreas.

Biogeo: an R package for assessing and improving data quality of occurrence record datasets

Árvores altas estão mais sujeitas a morrerem de “sede” em eventos de seca

Isto que demonstrou um estudo realizado na Amazônia, por uma equipe da Universidade de Edimburgo. A redução na quantidade de chuvas em áreas tropicais, prevista para ocorrer nas próximas décadas, poderá prejudicar o processo de condução da água do solo até as folhas nas árvores de grande porte. Como consequência, isto resultará em um aumento significativo na emissão de carbono para a atmosfera, devido a decomposição de árvores mortas, e em uma floresta de porte mais baixo, com árvores com menor capacidade de estoque de carbono na biomassa. O artigo original pode ser acessado neste link: http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature15539.html
Fontes:
Neil Palmer/CIAT – Flickr. Wikipedia

O que são florestas tropicais secas? Descubra assistindo este vídeo do CIFOR

As Florestas Tropicais Secas formam um importante bioma mundial, com ocorrência inclusive no Brasil, em algumas áreas da Caatinga e da Floresta Estacional Decidual e Semidecidual. Para conhecer um pouco mais sobre esta floresta, vale a pena conferir o vídeo “Tropical Dry Forests: real facts, real fast”, publicado pelo CIFOR (Center for International Forestry Research).

 

Seguem algumas informações relevantes que são apresentadas:

  • Ocorrência de uma estação chuvosa, com precipitação pluviométrica de 500 a 1500mm/ano; seguida por uma estação seca de 5 a 8 meses;
  • Dossel mais aberto do que uma floresta tropical úmida;
  • É o habitat de espécies ameaçadas, como o dragão de Komodo; girafas e o urso-beiçudo;
  • Na África, a área de Miombo contribui para a sustento de mais de 100 milhões de pessoas;
  • Representa 60% de toda cobertura florestal na Índia;
  • Em função de mudanças climáticas, algumas áreas de Floresta Tropical Úmida podem ser substituídas por Florestas Tropicais Secas;
  • Representa 30% da cobertura florestal do Sudeste Asiático continental;
  • Na Filipinas, representa o sistema florestal mais ameaçado por mudanças climáticas;
  • Quase nada se conhece sobre este bioma nas ilhas do Pacífico.
  • No continente americano, 2/3 foram convertidos para outros usos da terra.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=qUQEKuKrlz8

Análise da cobertura de dossel por meio de um smartphone

A cobertura de dossel representa uma variável fisionômica de grande interesse em estudos sobre ecologia florestal. A possibilidade da utilização de um smartphone, junto com um aplicativo para androide, para a quantificação desta variável é muito interessente, principalmente para pesquisadores em centros com poucos recursos. Este procedimento é apresentado no artigo abaixo, de autoria de  Lubomír Tichý, que foi publicado no Journal of Vegetation Science.

Field test of canopy cover estimationby hemispherical  photographs taken with a smartphone